Mostra Portuguesa em Espanha quer passar imagem de um país dinâmico e moderno

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O país vizinho volta a acolher a Mostra Portuguesa, que este ano acrescenta a dança, a moda e o teatro, ao vasto programa cultural que decorre de 2 de Novembro a 20 de Dezembro. A estas expressões culturais, juntam-se as exposições, os concertos musicais, o cinema e os colóquios e debates entre escritores e académicos dos dois países, já realizadas nas edições anteriores.

O principal festival cultural português em Espanha não se restringe, à semelhança dos anos anteriores, às cidades de Madrid e Barcelona. Saragoça, Valência, Alcalá de Henares, Cáceres, Badajoz, Corunha, Santiago de Compostela e Vigo acolhem alguns dos eventos realizados no seu âmbito. O programa da sétima edição da Mostra Portuguesa é mais extenso que o de 2008, apesar das dificuldades em recolher patrocínios e apoios num ano de crise.
Numa nota divulgada no site do Instituto Camões (IC), Álvaro Mendonça e Moura, embaixador de Portugal em Madrid, sublinha que a Mostra, apoiada e financiada pelo IC, “no seu actual modelo, só é possível com a inestimável ajuda” do Estado espanhol, nomeadamente do Ministério da Cultura, da Presidência do Governo e do Ayuntamiento de Madrid, bem como de outras entidades públicas e privadas, portuguesas.
Para Álvaro Mendonça e Moura a proposta deste ano transmite “a imagem de um Portugal dinâmico, moderno e imaginativo e um país comprometido com a sua identidade cultural, forjada ao longo de séculos de história, pelo seu povo e artistas, grandes obreiros do nosso imaginário colectivo e permanente”, destaca o diplomata citado pelo jornal «Público».
A componente literária e histórica desta Mostra dá relevância à apresentação da antologia bilingue da poesia portuguesa «Alma Minha Gentil». A antologia é uma edição bilingue em que estão representados 95 poetas, abarcando oito séculos da literatura portuguesa, das origens até à actualidade.
A 23 de Novembro, realiza-se em Barcelona a 2ª edição do seminário «De Mar a Mar», organizado em parceria com o Instituto Cervantes e com o tema “Romance e História”, em que participam de Portugal os escritores Miguel Sousa Tavares e Miguel Real e a professora catedrática Maria de Fátima Marinho, especialista do tema da ‘História na Ficção Ibérica’, e de Espanha os escritores Ignacio Martínez de Pisón, María Pilar Queralt del Hierro e Fernando Martínez Laínez.
A Mostra chega também às universidades de Alcalá de Henares e Autónoma de Madrid com a realização em cada uma delas, respectivamente nos dias 17 e 18 de Novembro, de uma «Jornada de Literatura Portuguesa», com a participação de Jacinto Lucas Pires, tendo como tema a nova geração de escritores portugueses.

Relações ibéricas em debate

Em debate na Mostra estarão ainda as relações históricas entre Portugal e a Catalunha. «Irmãos Separados» é o título do colóquio que decorre no Ateneo de Barcelona, com a intervenção dos historiadores Jorge Couto, Fernando Catroga e José Medeiros Ferreira, Joseph Sánchez Cervelló (Universidad de Terragona), Joaquín Sola e Víctor Martínez-Gil (Universidad Autónoma de Barcelona). O chamado ‘jornalismo cultural’ dos dois países será debatido no Instituto Cervantes, em Madrid, a 11 de Novembro, com José Carlos de Vasconcelos (director do Jornal de Letras), Luísa Mellid-Franco (crítica literária do Expresso), Jesús García Calero (ABC) e Jesús Ruiz Mantilla (El País), moderados por Luis Martín (Radio 5).
A moda, novidade de 2009, estará presente através da exposição 12 Trajes para Ibéria, em Badajoz, e de um encontro em Madrid entre representantes das associações de estilistas dos dois países. A dança e o teatro, as outras inovações do programa, terão Tânia de Carvalho e o espectáculo «De mim não posso fugir, paciência!», inserido no Festival de Otoño, e a peça «La Jaula», de Ana Cristina Câmara, na Casa de América.
Importantes exposições marcam também a programação. São elas a mostra antológica sobre o açoriano Canto da Maia, com os seus trabalhos em terracota, e a exposição de azulejos portugueses em Cáceres . Paulo Henriques, director do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) é o comissário da exposição de Canto da Maia que considera como a de maior impacto da Mostra Portuguesa. Segundo afirma, a ideia da exposição foi proposta pelo adido cultural na Embaixada de Portugal em Espanha, o escritor João de Melo. Paulo Henriques admite que a conotação com o Estado Novo que afecta Canto da Maia “pode constituir um estigma contrário à sua inclusão no discurso da crítica e, deste modo, no conhecimento do público em geral”, mas isso não lhe retira modernidade e importância.
Num registo diferente, a participação de Leonel Moura no «In-Sonoro» com os seus robots insectos, e a exposição do jovem cartonista Richard Câmara (em duas Universidades: a Autónoma de Madrid e a de Alcalá de Henares) com o tema dos “falsos amigos”, as palavras semelhantes na forma, mas diferentes no significado entre Portugal e Espanha.
A componente musical apresenta géneros variados, que passam tanto pelo Fado, através do concerto-diálogo sobre o palco, entre a portuguesa Cristina Branco e a espanhola María Berasarte, a 10 de Novembro; como pelo conhecido compositor Rodrigo Leão – num duplo concerto, em Madrid e Barcelona. A música marca ainda presença na Mostra deste ano, através dos Deolinda, um dos mais interessantes projectos musicais recentemente surgidos em Portugal; e pela música étnica da lusofonia, trazida pelo Trio Nua.
A.G.P.

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