Cavaco Silva acusa PS de tentar “encostá-lo”” ao PSD mas garante que não cede a pressões”

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O Presidente da República, Cavaco Silva, acusou “destacados personalidades do partido do Governo” de manipulação e de tentarem colar o presidente ao PSD com o objectivo de desviar as atenções, mas garantiu que não se deixa condicionar nem cede a pressões.

Numa declaração de 10 minutos, Cavaco Silva começa por recordar que, em meados de Agosto, quando estava na sua casa do Algarve, foi surpreendido por declarações de “destacadas personalidades do partido do Governo” a exigir-lhe que interrompesse as férias e falasse sobre a participação de membros da casa Civil na elaboração do programa do PSD.

“Considerei graves aquelas declarações, um tipo de ultimato dirigido ao Presidente da República”, referiu, acrescentando não ter conhecimento de que no tempo dos seus antecessores em Belém “os membros da Casa Civil tenham sido limitados na sua liberdade cívica”.

Reforçando que não é seu hábito revelar a leitura pessoal que faz de declarações de políticos, Cavaco Silva diz agora ser “forçado a abrir uma excepção”.

“Primeiro: puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD, apesar de todos saberem que eu, pela minha maneira de ser, sou particularmente rigoroso na isenção em relação a todas as forças partidárias”, afirmou.

Em segundo lugar, continuou, “desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos”.

“Muito do que foi depois dito ou escrito envolvendo o meu nome interpretei-o como visando consolidar esses dois objectivos”, frisou.

Nomeadamente, referiu ainda, as interrogações que qualquer cidadão pode fazer sobre como é que aqueles políticos sabiam os passos dados por membros da Casa Civil ou mesmo as interrogações atribuídas a um membro da Casa Civil.

“Mas, onde está o crime de alguém, a título pessoal, se interrogar sobre a razão das declarações políticas de outrem”, questionou, ressalvando, contudo, não ter tido conhecimento prévio e duvidar mesmo “quanto aos termos exactos em que possam ter sido produzidas” as interrogações atribuídas a um membro da sua Casa Civil.

“Repito, para mim, pessoalmente, tudo não passava de tentativas de consolidar os dois objectivos já referidos: colar o Presidente ao PSD e desviar as atenções”, reiterou.

O chefe de Estado admitiu também ter sido essa “mesma leitura” que fez da publicação num jornal diário (o Diário de Notícias), e um e-mail, “velho de 17 meses”, entre jornalistas sobre um assessor do gabinete do primeiro-ministro.

“Desconhecia totalmente a existência e o conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas quanto à veracidade das afirmações contidas”, assegurou, garantindo não conhecer o assessor em causa.

“Liguei imediatamente a publicação do e-mail aos objectivos visados pelas declarações produzidas em meados de Agosto”, adiantou, confessando, não ver bem onde está o “crime” de cidadão, mesmo que seja um membro do staff da Presidência da República, ter “sentimentos de desconfiança ou de outra natureza em relação a atitudes de outras pessoas”.

Contudo, porque esse e-mail deixava a “dúvida” de que teria sido violada a regra de ninguém falar em nome do Presidente da República, à excepção dos chefes da Casa Civil e Militar, foram efectuadas alterações à Casa Civil, disse, referindo-se à demissão de Fernando Lima.

“Embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse. Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil”, assegurou.

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