Mundiais de Atletismo: Participação portuguesa globalmente positiva

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Os Mundiais de atletismo de Berlim terminaram com uma pequena desilusão para Portugal, que viu Naide Gomes fora das medalhas no salto em comprimento, mas o país acabou por ter a segunda melhor participação de sempre em Mundiais. É verdade que só Nélson Évora conquistou uma medalha mas no total Portugal esteve a um dos seus melhores níveis de sempre, com quatro finalistas, incluindo uma medalha, e 17 presenças nos 16 primeiros lugares. Assim o balanço de todos os 30 atletas  da selecção é amplamente positivo.

Portugal, mesmo só com a medalha de prata conquistada por Nélson Évora, conseguiu o seu melhor conjunto de resultados de sempre em Mundiais de atletismo, em termos de atletas classificados até ao 16.º lugar.
Mais de metade da delegação, ou seja 19 dos atletas que participaram em 17 provas, conseguiu classificar-se numa dessas posições, que dão direito a receber uma bolsa de preparação para os Jogos Olímpicos por dois anos, com o estatuto de Medalhado, Finalista (4.º a 8.º) ou Semi-finalista (9.º ao 16.º).
Este sucesso da “segunda linha” supera largamente anterior recorde de 11 de Roma em 1987 e Osaca em 2007.
No quadro de pontos, atribuídos do primeiro ao oitavo para determinar um ranking “oficioso” de países, Portugal termina em 21.º (em nono lugar a nível europeu), com 19 pontos, resultantes das provas de Nelson Évora (2.º lugar), Naide Gomes (4.ª lugar), Vera Santos (5.ª lugar) e Marisa Barros (6.ª lugar). Um total que é melhor do que o de Osaca 2007 (17º lugar) e iguala o de Helsínquia 2005.
Melhor que esta participação, só nos anos em que corriam as consegradas Carla Sacramento, Fernanda Ribeiro e Manuela Machado: 30 pontos em Gotemburgo’95, 34 em Atenas’97 e ainda 20 em Sevilha’99.
Fazendo uma distribuição dos atletas portugueses pela zona da classificação final das suas provas – primeiro terço, segundo e terceiro – conclui-se que a maioria esteve claramente nos primeiros lugares da especialidade. Onze ficaram no primeiro desses sectores, 12 no segundo e apenas seis no último.
Destaque, nesse sector intermédio, para as excelentes prestações de Inês Monteiro, Ana Dulce Félix e Sara Moreira, que conseguiram recordes pessoais, assim como José Moreira.
Numa outra análise, verifica-se que, contando apenas os atletas europeus, Portugal “tem” nove atletas no “top-3” e 17 no “top-8”, o que só pode ser um excelente prenúncio para Barcelona 2010.
José Barros, seleccionador nacional de atletismo, considerou no final da competição que Nélson Évora e Naide Gomes tinham capacidade para “fazer melhor resultado” mas frisou que em termos globais, isso não impede um balanço amplamente positivo, pelos resultados dos atletas que não se esperava que entrassem em luta pelo pódio.
Também o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, fez questão de ir cumprimentar “no terreno” a selecção pelos “bons resultados”. “Só temos razões para estar satisfeitos. Num Mundial de atletismo, com 30 atletas a competir com 1500 do Mundo inteiro e conseguir a pontuação e a qualificação que obtiveram”, disse.

DELEGAÇÃO PORTUGUESA

Masculinos

Nelson Évora: Triplo salto
Nelson Évora conquistou a medalha de prata no prova de triplo-salto, depois dos títulos olímpico (2008) e Mundial (2007). O atleta do Benfica, que saltou 17,74 metros (recorde nacional) em Osaca2007 e 16,67 em Pequim2008, ficou-se por 17,55 metros, no último ensaio.

Arnaldo Abrantes: 100 m e 4×100 m
O velocista português Arnaldo Abrantes falhou o apuramento para as meias-finais da prova dos 100 metros ao terminar em sexto lugar na primeira série dos quartos-de-final. O atleta português fez o tempo de 10,40 segundos, com vento contrário de 0,7 m/s.

Rui Silva: 1500 m
Rui Silva foi afastado da final dos 1.500 metros ao terminar a primeira meia-final em 11.º

Rui Pedro Silva: 10.000 m
Rui Pedro Silva ficou no 23º. lugar na final dos 10.000 metros ao gastar 28.51,40 minutos para cumprir a prova, ganha pelo etíope Kenenisa Bekele, em 26.46,31.

Alberto Paulo: 3.000 m obstáculos
Alberto Paulo falhou o apuramento para a final dos 3.000 metros obstáculos ao ser apenas 11.º na terceira série das eliminatórias. Numa qualificação que apurava os quatro melhores de cada uma das três séries e ainda os três melhores tempos entre os restantes, Alberto Paulo, do Marítimo, logrou apenas o 30.º registo, com 8.43,13 minutos.

Luís Feiteira: Maratona
Luís Feiteira cortou a meta na prova da maratona com o tempo de 2:14,06.

Fernando Silva: Maratona
Fernando Silva foi 13.º na maratona com 2:14,48.

José Moreira: Maratona
José Moreira foi o melhor português na maratona ao classificar-se em nono lugar, com 2:14,05 horas, a sua melhor marca pessoal.

João Vieira: 20 km marcha
João Vieira classificou-se no 10.º lugar dos 20 quilómetros marcha, que coroaram o russo Valeriy Vorchin como o primeiro campeão mundial do evento. O marchado do Clube de Natação de Rio Maior, que fez uma prova em crescendo (31.º aos cinco quilómetros, 17.º aos 10 e já 10.º aos 15), cumpriu a distância em 1:21.43 horas, a sua melhor marca do ano.

Sérgio Vieira: 20 km marcha
Sérgio Vieira, irmão gémeo de João Vieira e atleta do mesmo clube, terminou a prova no 27.º posto, com 1:24.32 horas, depois de ter passado em 35.º aos cinco quilómetros, 30.º aos 10 e 28.º aos 15. A prova foi ganha pelo russo Valeriy Vorchin, campeão olímpico em Pequim 2008, que gastou 1:18.41 horas, enquanto o chinês Hão Wang conquistou a medalha de prata (1:19.06) e o mexicano Luís Lopez a de bronze (1:09.21).

António Pereira: 50 km marcha
António Pereira desistiu nos 50 km marcha, depois de ter passado a meio da prova em andamento para recorde nacional e para terminar nos primeiros dez classificados.

Augusto Cardoso: 50 km marcha
O único português que acabou por terminar a mais dura das especialidades do atletismo foi Augusto Cardoso, 23.º com 3:59.10, falhando por muito pouco o objectivo de fazer desde já mínimos para o Europeu de 2010.

Marco Fortes: Peso
O lançador Marco Fortes, primeiro português a entrar em acção nos Mundiais de atletismo de Berlim 2009, falhou o apuramento para a final do lançamento do peso, ao ficar-se por 19,81 metros na qualificação. O atleta do Sporting, que tem como recorde nacional 20,52 metros (10 de Junho de 2009, em Huelva), ficou-se pelo 18.º lugar, quando apenas se qualificavam os 12 primeiros ou os que conseguissem alcançar a marca de 20,30 metros. Marco Fortes iniciou a sua prestação com 18,70 metros, fez um nulo no segundo ensaio e, a fechar, lançou o peso a 19,81 metros, marca insuficiente para a final.

Francis Obikwelu/Dany Gonçalves/Arnaldo Abrantes/Ricardo Monteiro: 4 x 100 m
A estafeta portuguesa masculina de 4×100 metros falhou o apuramento para a final da prova ao concluir a segunda meia-final no quinto lugar. Numas eliminatórias que apuravam os dois primeiros de cada série e ainda os dois melhores registos entre os restantes, Portugal ficou-se por 39,25 segundos, falhando outro dos objectivos, que passava por bater o recorde nacional (39,02 a 20 de Junho, em Leiria). Numa série ganha pelos Estados Unidos, com 37,97 segundos, o quarteto luso foi composto por Dany Gonçalves, Arnaldo Abrantes, Ricardo Monteiro e Francis Obikwelu, o recordista europeu dos 100 metros.

DELEGAÇÃO PORTUGUESAFemininos
Sónia Tavares: 100 m
Inês Monteiro: 5.000 e 10.000 m
Sara Moreira: 5.000 m e 3.000 m obstáculos
Jessica Augusto: 3.000 m
obstáculos
Ana Dulce Félix : 5.000 e 10.000 m
Ana Dias: 10.000 m
Marisa Barros: Maratona
Inês Henriques: 20 km marcha
Vera Santos: 20 km marcha
Susana Feitor: 20 km marcha
Naide Gomes: Comprimento
Vânia Silva: Martelo
Sandra Tavares: Vara

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