Entrevista: Sofia Vieira quer triunfar com a camisola do Atlético de Madrid

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A internacional portuguesa Sofia Vieira vai vestir a camisola do poderoso Atlético de Madrid, numa transferência que lhe permite dar um salto de gigante na sua curta carreira de futebolista. Em entrevista ao «O Emigrante/ Mundo Português», Sofia Vieira fala desta sua nova experiência, da vida em Espanha e dos seus sonhos com a camisola de Portugal.

Sofia Vieira é um dos rostos de futuro da selecção portuguesa de futebol feminino. Com apenas 21 anos, a centro-campista já vestiu a camisola das Quinas por 34 vezes, 12 das quais pela selecção principal, onde marcou inclusivé três golos. Agora vai vestir a camisola 9 do Atlético de Madrid na competitiva Superliga espanhola, onde vai jogar ao lado de Edite Fernandes e irá encontrar outras internacionais portuguesas, como Sónia Matias, Ana Borges, Cláudia Neto ou Mónica Gonçalves. Depois de várias épocas a brilhar no futsal, onde esteve em vários clubes com destaque para o Benfica e o Mostoles de Espanha, Sofia Vieira vai agora estrear-se no futebol de 11. Em Madrid, além de jogar no Atlético, Sofia vai também continuar o seu curso de Ciências da Actividade Física e do Desporto, na Universidade Autónoma de Madrid.

Como é que começou a jogar futebol? Começou pelo futsal?

Comecei a jogar a nível federado aos 11 anos. Comecei pelo futsal e aliás sempre joguei futsal. Vai ser a primeira vez que vou representar um clube de futebol de onze.

 

Em que momento pensou que o futebol podia ser o seu futuro?

É uma opçao que sempre tive em mente, mas achava sempre que ainda não tinha chegado o momento certo. Este ano com as sensações que tive no Mundialito, nos jogos pela selecção nacional, tive a certeza de que queria mudar e de que esta era a altura ideal.

Como é que se proporcionou a ida para Espanha?

Tudo aconteceu através de um convite feito pelo Mostoles, no verão de há dois anos. Tudo depois de ter jogado a Taça Ibérica ao serviço do Benfica, contra o Mostoles, e de voltar a jogar com elas na Taça das Nações. Foram jogos que a nível pessoal me correram bastante bem e acabei por despertar o interesse do clube que entrou em contacto comigo.

 

Vai jogar no Atlético de Madrid. Sente o peso da camisola?

É impossível não sentir o peso do nome do clube, mas principalmente sinto um peso que tento transformar numa forma positiva como motivação, como estímulo para conseguir os meus objectivos.

 

O que pensou quando percebeu que ia mesmo para um grande clube espanhol?

Esta é melhor oportunidade que vou ter para mudar para o futebol, começando ao mais alto nível e não a vou desperdiçar.

 

Quais os objectivos enquanto jogadora?

Neste momento o meus objectivos voltam para a estaca zero: porque é uma competição nova e como atleta de alta competição o meu objectivo é ganhar e ser cada dia melhor.

 

Como é o seu dia-a-dia em Espanha? Além de jogar também estuda…

O meu dia-a-dia é o de uma jovem normal. Levanto-me para ir à faculdade pela manhã, volto a casa para o almoço, navego na internet para saber as notícias e falar com a família e os amigos, preparo a roupa do treino e vou trienar. Depois volto para casa e vou dormir.

 

Sente-se emigrante quando está em Espanha?

Por um lado sim, mas por outro lado não. Porque associo a vida de um emigrante como uma vida de esforço de muito trabalho, e sinceramente sinto-me uma privilegiada por poder fazer o que gosto.

Mas depois, toda aquela parte de estar longe da família, a falta de falar português e as saudades, aí sou como todos os emigrantes que estão por esse mundo fora.

 

Depois de Espanha pensa regressar a Portugal?

Muito sinceramente, o meu desejo não é de voltar para Portugal. Sinto-me completamente adaptada à vida em Espanha e espero poder continuar por lá. Também tenho outros objectivos que passam por conhecer mais países (Inglaterra ou Estados Unidos).

“Se conseguirem venham apoiar-nos”

O que sente quando representa a selecção portuguesa?
Um grande orgulho e muita sorte por ter o privilégio de vestir aquela camisola.

Lembra-se do seu primeiro jogo?

Sim, perfeitamente, apesar de já ter sido há alguns anos atrás, quando tinha 14 anos. Foi um dia que vou recordar para sempre. A primeira vez que se entra em campo com a camisola do nosso país é um momento de extrema importância na vida de um atleta e as emoções e sentimentos dessa primeira vez são inesquecíveis. O nervosismo misturado com a alegria.

Acha que a Portugal falta um grande momento? Uma presença num Europeu ou num Mundial?

Sem dúvida, quando isso acontecer vão dar-nos muito mais valor e apoios.

Algumas vozes insurgem-se contra a chamada de jogadoras de futsal para a selecção. Sentiu alguma vez essa diferença de tratamento? O que pensa disso?
Sim, senti diferença no tratamento. Sentia que algumas pessoas não estavam de acordo com a situação e faziam questão de o demonstrar. Mas neste momento não existe nenhuma distinção. Realmente não é uma coisa comum no futebol, mas devido à falta de formação e de qualidade que existe, acho que é uma excelente aposta. São jogadoras que se se adaptam bem ao futebol e que podem ajudar muito a selecção. E afinal acho que esse é o objectivo de todos, melhores resultados.

Tem várias jogadoras luso-descendentes como colegas de selecção. Como vê a entrada dessas atletas no vosso grupo de trabalho?

Acho fantástico, sempre que as entradas sejam de atletas com qualidade, como tem acontecido. E, por outro lado, têm tanto direito como eu de estar na selecção.

Quando joga no estrangeiro pela selecção têm o apoio dos emigrantes?

Como sabemos, o futebol feminino não é muito acompanhado. Mas há sempre alguém que faz questão de marcar presença com um cachecol ou uma bandeira de Portugal, e isso para nós é óptimo porque com apenas uma presença sentimos que não estamos sós.

O que sentem as jogadoras quando jogam num país estranho e têm uma claque portuguesa?

O que lhe comentava antes. Sentimos um grande apoio e dá-nos muita força porque ficamos surpreendidas sempre que vemos alguém no estrangeiro com coisas de Portugal nos nossos jogos. Transmitem-nos alegria e vontade de vencer.

Qual o seu sonho em relação à selecção nacional?

O meu grande sonho conseguir chegar aos três primeiros lugares de uma grande competição, um europeu ou mundial. O meu sonho, um bocadinho menos complicado, mas igualmente difícil, é conseguir uma qualificação para uma grande competição.

Deixe uma mensagem para os emigrantes portugueses…

Se tiverem a oportunidade de assistir aos nossos jogos que marquem presença, são um apoio muito grande para nós. O futebol não é só para homens, penso que se poderiam surpreender com a qualidade que existe entre as mulheres.

Ana Rita Almeida
ralmeida@mundoportugues.org

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