Prémio Carreira da União Radiocientífica Internacional entregue a cientista português

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O I Prémio Carreira da URSI – União Radiocientífica Internacional foi entregue ao cientista português Carlos Salema, em reconhecimento pelo seu contributo para o avanço das telecomunicações em Portugal. A distinção foi instituída este ano e propõe-se galardoar “a excelência de um cientista português que tenha contribuído para o avanço da área de ciência rádio em Portugal, nos últimos anos”.
Entre diversos nomes sugeridos para o Prémio, o júri constituído pelas diferentes comissões científicas que integram a comissão portuguesa da URSI decidiu por unanimidade atribuí-lo a Carlos Salema, “pelos seus contributos na área rádio, do ponto de vista científico, académico e do seu impacto na sociedade portuguesa”.
Carlos Salema, que desde 1993 preside ao Instituto de Telecomunicações, mostrou-se satisfeito com o prémio. “Foram muito simpáticos”, declarou o cientista, considerando a distinção como uma forma de “dinamizar a acção da URSI em Portugal”.
Para o presidente do Instituto de Telecomunicações, esse objectivo é particularmente importante considerando que a actividade dessa instituição tem sido “muito discreta nos últimos anos”. “Em Espanha”, referiu o premiado à agência Lusa, “a URSI é uma força da natureza. Aqui, em Portugal, tem estado quase em hibernação”.
No contexto geral da ciência rádio, entre o início da década de 1990 e a actualidade, Portugal registou, no entanto, “uma autêntica revolução”, garante Carlos Salema, que ao longo da sua carreira se dedicou essencialmente ao estudo das telecomunicações, em particular ao electromagnetismo aplicado a antenas.
“Hoje em dia, em Portugal, há muitos sítios onde este tipo de trabalho dispõe de todas as facilidades a nível europeu e, em alguns casos, a nível mundial”, disse o cientista, salientando que “no (seu) tempo, não havia nada”.
Carlos Salema conta, como exemplo, que fez o Doutoramento em Londres “porque cá não havia laboratórios com o equipamento necessário para as medições (de campos electromagnéticos) e, mesmo a nível do cálculo, os aparelhos não eram potentes o suficiente”.
Hoje em dia professor aposentado do Instituto Superior Técnico, o cientista garante que agora o cenário é outro: “tenho dezenas de jovens que fazem o seu Doutoramento em Portugal e têm todas as condições ao seu dispor, o que há 30 anos era quase impossível”.
Para o futuro da ciência rádio a nível nacional, Carlos Salema recomenda “que as pessoas que se dedicam à ciência trabalhem mais em conjunto” e que se incentive “uma colaboração mais intensa entre as universidades e as empresas, sobretudo no caso dos operadores, mas também no que se refere à indústria”.
“Às vezes é mais fácil conseguir um contrato com uma empresa estrangeira do que com uma portuguesa”, lamenta o cientista, que deixa a questão: “se o Instituto das Telecomunicações tem clientes como o Massachusetts Institute of Technology, que nos paga para sermos consultores deles numa certa área, porque é que as empresas portuguesas também não falam mais connosco e com as universidades”.
O Prémio Carreira atribuído a Carlos Salema é da responsabilidade da URSI, uma organização não-governamental sem fins lucrativos fundada em 1919 para estimular e coordenar, à escala internacional, a investigação e o intercâmbio nos diversos domíni-os das ciências da radio-electricidade.
Os membros da URSI são as comissões nacionais dos vários países representados nessa estrutura. No caso português, a actividade da comissão nacional é organizada pela Autoridade Nacional de Comunicações.

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