“Queremos que o Turismo representr 15% do PIB em 2015” – Bernardo Trindade

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2006 foi um ano de viragem para o sector em Portugal em parte porque se começou a implementar o Plano Estratégico Nacional de Turismo. Quais os resultados que já se alcançaram?

Nesta legislatura tivemos como meta tornar Portugal mais forte e competitivo enquanto destino turístico, tendo conseguido afirmar a importância do Turismo no quadro da economia nacional como prioridade governativa. Para tal, o Governo definiu como objectivos estratégicos o aumento da contribuição do Turismo para o PIB nacional e para o emprego qualificado, bem como a dinamização do Turismo interno, elementos cruciais para a melhoria da qualidade de vida dos Portugueses.
O Turismo é uma actividade complexa, diferenciada no tipo de oferta, na dimensão, no grau de desenvolvimento regional, na velocidade de crescimento e na variedade e dimensão empresarial.
A resposta à necessidade de uma visão e estratégia nacionais concretizou-se na definição de um Plano Estratégico Nacional do Turismo. Um Plano integrado com objectivos definidos para um horizonte temporal de 10 anos, com a identificação de prioridades e conjunto de acções, com reflexo nos mercados emissores, produtos turísticos de aposta, e destinos regionais, ou seja um quadro de referência orientador para o sector ao nível do Ordenamento, Legislação, Financiamento e Promoção.
Com este instrumento quisemos mobilizar os agentes do sector (públicos e privados, nacionais, regionais e locais) e os Portugueses em geral para o desenvolvimento sustentado do Turismo, para que se consigam atingir níveis de crescimento superiores aos dos principais destinos europeus, através da promoção da qualidade da oferta, seja a qualidade ambiental do destino turístico, seja a qualidade dos empreendimentos ou dos serviços turísticos, seja a qualidade do património arquitectónico.
Estruturado em 5 eixos, o (Plano Estratégico Nacional de Turismo) PENT define, com base nas vantagens do país e no potencial da procura internacional, uma carteira de 10 produtos estratégicos.
De igual modo, foram estabelecidos sete novos Pólos de Desenvolvimento essenciais para a concretização de um Turismo de qualidade que marque a diferença, permitindo, em simultâneo, um maior equilíbrio e coesão territorial: Douro, Serra da Estrela, Oeste, Litoral Alentejano, Alqueva, Açores e Porto Santo.
Desde 2005, as dormidas de turistas cresceram 14,7% (+ 5 milhões de dormidas), os proveitos na hotelaria cresceram 24% (+ 380 milhões de euros), o tráfego de passageiros desembarcados cresceu 22,9% e o número de passageiros desembarcados de voos low cost  cresceu 256%.
Outro aspecto que prova que a actividade turística em Portugal está hoje mais competitiva é o facto de o nosso país ocupar o 17º lugar do ranking do relatório Travel & Tourism Competitiveness realizado pelo Fórum Económico Mundial, num total de 130 países.
Quanto à execução do PENT, as medidas estão a ser executadas como previsto: criámos um novo quadro das Entidades Regionais de Turismo e dos Pólos de Desenvolvimento Turístico; estamos a dinamizar os dez produtos turísticos estratégicos; promovemos o surgimento de novas rotas e de novas operações aéreas aumentando a acessibilidade aérea ao nosso país; reposicionámos a comunicação da marca Portugal, tornando-a transversal aos vários sectores económicos; promovemos a facilitação e agilização dos processos no relacionamento Estado/Empresa, com a criação do Turismo de Portugal e a revisão do quadro legislativo regulador de todas as actividades turísticas, garantindo a simplificação dos processos, em particular dos licenciamentos e da classificação. Ao nível da Formação dos Recursos Humanos, implementámos um conceito inovador com a criação dos Cursos “On Job”, numa lógica de aproximação da aprendizagem no contexto real prático, estando já em execução em 40 unidades hoteleiras. Introduzimos novos programas curriculares, que permitirão que os nossos alunos saiam das escolas com certificados do Turismo de Portugal e da Escola de Lausanne.
Temos actualmente 17 Escolas de Hotelaria e Turismo por todo o país, tendo a capacidade das Escolas aumentado 53% (desde 2005 passou de 1950 lugares de formação inicial para 2990).
Vamos continuar a promover políticas de desenvolvimento do Turismo baseadas na qualificação e competitividade da oferta alanvacadas na excelência ambiental e urbanística, na formação dos recursos humanos e na dinâmica e modernização empresarial e das entidades públicas.
A competitividade de Portugal a médio/longo prazo dependerá necessariamente da sua afirmação como destino turístico de excelência que se distingue pela valorização dos seus recursos naturais e patrimoniais. É uma vantagem competitiva que não vamos desperdiçar. O bom desempenho da actividade turística significará necessariamente a melhoria das condições de vida dos portugueses.

O Turismo já está a sofrer os efeitos da actual crise mundial?
Em crises de carácter global como a que vivemos presentemente, o Turismo demonstrou capacidade superior às restantes actividades económicas para resistir e ultrapassar o ambiente menos favorável. Em 2008, quando as restantes áreas económicas sentiam já a pressão da conjuntura internacional, os indicadores turísticos, embora a abrandar, continuaram a crescer. Portugal teve um desempenho melhor que os seus principais concorrentes, em particular Espanha que fechou 2008 já em decréscimo. No actual contexto, a crise internacional está a atingir com grande gravidade os nossos principais mercados emissores de turistas, com particular incidência no Reino Unido, que tem a agravar a sua situação a circunstância de a libra se ter desvalorizado em quase 50%, valendo quase o mesmo que o Euro, o que torna um destino Euro como Portugal substancialmente mais caro quando comparado com outras realidades, designadamente as Caraíbas, a Turquia e o Egipto.
O que estamos a fazer, mais concretamente no Reino Unido e na Alemanha, é trabalhar em conjunto com os nossos principais fornecedores de turistas, ou seja, com operadores e companhias aéreas, para desencadear medidas no sentido de promover Portugal e todas as suas regiões turísticas, aportando um conjunto de recursos financeiros como nunca se fez em termos de esforço público para a promoção.
Estamos a trabalhar em dois eixos de actuação, através de medidas de incentivo e dinamização da procura e medidas de apoio ao investimento.
Medidas de incentivo e dinamização da procura nomeadamente captando novas rotas e reforço das existentes, dinamização de campanhas de marketing das operações aéreas existentes concretizadas em parcerias entre o Turismo de Portugal, ANA Aeroportos e ANAM (Madeira). Até ao momento foram apoiadas 18 rotas, estando 6 novas rotas em negociação. Promovendo campanhas de “hard selling”, no valor de 30 milhões de euros, com o objectivo de sustentar fluxos e incentivar a venda do destino Portugal junto dos operadores turísticos, estando até ao momento cerca de 53 operadores envolvidos. Os operadores estão a partilhar connosco o risco e o feedback está a ser positivo. Lançámos uma Campanha de Turismo Interno no valor de 4 milhões de euros. Esta campanha, montada em tempo recorde, só foi possível pela estreita parceria e forte cumplicidade com o sector privado. A crise constitui uma oportunidade para potenciar as férias dos portugueses em Portugal. “Descubra um Portugal Maior” tem o objectivo de mostrar aos portugueses como a oferta turística em Portugal evoluiu nos últimos anos, convidando-os a fazer férias “cá dentro”. O site da campanha já teve mais de 50.000 visitantes e tem actualmente 500 promoções inseridas.
No âmbito do apoio às PME foram já apoiadas 1.210 empresas de turismo, o que correspondeu a cerca de 100 milhões de euros de financiamento, sendo a taxa de aprovação de cerca de 96%. Reforçámos em 100 milhões de euros os fundos de investimento turístico (fundo de capital de risco e fundo de investimento imobiliário), como forma de ajudar as empresas a ultrapassar esta fase mais difícil.
Todas estas medidas têm sido implementadas com ampla participação do sector privado e têm sofrido evoluções em função da sua aplicação no terreno.

Que resultados se esperam com esta nova política de reorganização do sector turismo em Portugal?
Até agora no país tínhamos cerca de 30 Entidades, entre Juntas e Regiões de Turismo e mesmo assim o país não estava representado na sua totalidade. O que fizemos foi racionalizar o número de Entidades, garantindo-lhes meios e recursos para desempenharem as suas funções de gestores dos destinos regionais.
Por isso criámos cinco Entidades Regionais de Turismo correspondentes às NUT II (Porto e Norte de Portugal, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) dando do ponto de vista do Turismo, o primeiro passo no sentido de uma reorganização futura do país em termos administrativos. No essencial, temos hoje o país preparado em termos de instituições para poder dar resposta aos desafios que crescentemente surgem.
A.F.

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e à edição em PDF do jornal O Emigrante/ Mundo Português.

Bernardo Trindade licenciou-se em Gestão de Empresas no ISG e fez uma pós-graduação em Marketing, Finanças e Fiscalidade na Universidade Católica Portuguesa.
Em entrevista ao Mundo Português, o actual secretário de Estado do Turismo fala das perspectivas do sector em Portugal e afirma a vontado do Governo de “tornar Portugal mais competitivo como destino turístico”…
 

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