Morte de empresário português no Rio de Janeiro pode ficar sem autoria

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A morte do empresário português Abel Tavares Pereira, que foi morto no último dia 19, no Rio de Janeiro, pode ser mais uma que ficará sem autoria nessa violenta cidade brasileira.
"O inquérito está fadado a ser mais um cuja autoria vai ser desconhecida. Os crimes no Rio de Janeiro acontecem de uma forma muito mais veloz do que a polícia consegue investigar", disse hoje à Lusa o delegado titular da 21ª Delegacia de Polícia, responsável pelo caso, Carlos Eduardo Almeida.
Abel Tavares Pereira, 67 anos, dono da rede de lojas Pinheiro Tintas, no Rio de Janeiro, foi morto quando se dirigia para sua casa na Barra da Tijuca pela via de acesso Linha Amarela, na companhia do amigo português Isaac da Rocha, 75 anos.
O delegado lamentou que Rocha, principal testemunha da morte do empresário, esteja "muito fechado no sentido de fornecer informações".
"Ficou latente pela posição do Sr. Isaac da Rocha que ele não quer fornecer informações para não se comprometer, por medo", afirmou o delegado Almeida, ressaltando, entretanto, que Rocha não é suspeito.
A polícia ouviu novamente Isaac da Rocha na última sexta-feira, porque o seu depoimento sobre o local da morte de Pereira não coincide com as imagens registadas pelas câmaras da Linha Amarela.
 "Infelizmente, as câmaras não conseguiram captar a acção, apenas o local onde o carro parou", disse o delegado.
O polícia contou ainda à Lusa que Rocha relata ter ouvido disparos antes da morte do amigo, mas não se lembra do local dos tiros nem se havia algum automóvel paralelo ao Nissan Sentra que Pereira conduzia.
A tese de que o empresário português tenha sido executado fica cada vez mais fraca, na opinião do delegado.
"Aparentemente, havia somente uma marca de tiro no carro e não existe execução com um tiro só. Além disso, os depoimentos das pessoas próximas a Pereira enfraquecem esta tese", explicou Pereira, acrescentando que ninguém confirmou que o português teria sofrido ameaças.
O delegado afirmou ainda que a hipótese de Pereira ter sido atingido por uma bala perdida é "muito pouco provável", embora não possa ser 100 por cento descartada.
"A hipótese de que tenha havido uma tentativa de roubo, portanto, é de 90 por cento", salientou o delegado.
A polícia espera agora as perícias do carro e do corpo do empresário, que devem sair daqui a 15 ou 20 dias.
Os inspectores vão investigar também se houve carros roubados na proximidade do local da morte de Pereira na noite do dia 19, o que poderia estar correlacionado com o caso.

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