Irlanda: Trabalhadores portugueses explorados

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Mais de uma centena de portugueses, contratados para trabalhar na construção de uma estrada na Irlanda, queixam-se de que foram enganados e de que estão a ser explorados pelos seus empregadores.

Ainda em Portugal, os operários – que na sua maioria não falam inglês – concordaram com um contrato escrito em português, que lhes prometia um salário de 16 euros por hora. Mas, já na Irlanda, acabaram por assinar um contrato em inglês que não estava de acordo com as condições acertadas em Portugal.

Agora, os trabalhadores recebem 7,5 euros por hora, incluindo as horas que são obrigados a realizar aos fins-de-semana. E os recibos de vencimento são ilegais, uma vez que não contêm o número de identificação fiscal da empresa.

Para além disso, os emigrantes portugueses estão a viver em pré-fabricados, pelos quais pagam 17,5 euros diários; fazem três refeições diárias, que lhes custam 15 euros; e pagam ainda 3,75 euros por cada quilo de roupa que queiram lavar. Todos estes valores são pagos à empresa para a qual trabalham.

As queixas não ficam por aqui: um dos trabalhadores, que preferiu manter o anonimato, diz que “a água, por exem-plo, é extraída de um furo com seis metros feito ao lado de um ribeiro que tem um gerador que liberta óleo”. A água quente não chega para todos e a casa de banho está a “mais de 100 metros” dos quartos. Estas deficientes condições sanitárias são, na opinião deste trabalhador, responsáveis por problemas como “irritação nos olhos, feridas na cabeça e queda de cabelo”, que têm afectado alguns dos seus colegas.

Outra ilegalidade apontada é o facto de a empresa “não facultar seguro de saúde”. Os acidentes de trabalho que já se verificaram e que levaram à necessidade de assistência hospitalar acabaram por ter de ser resolvidos pelos próprios trabalhadores, que “tiveram de pagar as despesas e a respectiva medicação”.

 

Embaixada está informada

 

Estas situações levaram quatro dos emigrantes a apresentarem queixa junto da Embaixada de Portugal em Dublin. Fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou ter conhecimento do caso e adiantou que o local de cons-trução foi já visitado por funcionários diplomáticos, que se reuniram com os responsáveis da obra. Fonte da empresa, um consórcio designado RAC Eire Partnership – de três empresas portuguesas: a Amândio Carvalho, SA, a Rosas Construtores, SA e a Gabriel AS Couto, SA -, confirmou a visita dos di-plomatas e classificou-a de “muito agradável” e “transversal”, mas não quis comentar as acusações dos trabalha-dores. Estes, por sua vez, dizem que a empresa fez uma limpeza imediata das instalações pouca antes da visita dos diplomatas.

Marta Cowling, porta-voz da Embai-xada portuguesa em Dublin, garante que, “caso haja irregularidade, a justiça irlandesa será impiedosa”.

 

Outros casos

 

Em 2005, em Espanha, vinte e três indivíduos foram detidos por explorarem operários portugueses, entre os quais desempregados, toxicodependentes e doentes mentais. Também em 2005, mas na Holanda, meia centena de portugueses pediram auxílio à Embaixada, queixando-se de que trabalhavam e vivi-am em condições precárias e eram explorados pelos seus empregadores.

Já em 2007, em Espanha, a polícia descobriu 79 portugueses em regime de escravatura em Navarra. Foram detidos 17 angariadores, que cobravam 300 euros por semana aos trabalhadores. Na Islândia, um português trabalhava num túnel de uma barragem, 12 horas por dia, com água pelos joelhos. Recebia 403 euros por mês. Na Roménia, 200 trabalhadores portugueses eram obrigados a trabalhar 12 horas por dia, perdendo duas a três horas em deslocações. Sábados e domingos eram dias de trabalho.

Nos últimos meses vários portugueses rumaram à Nigéria para traba-lhar em explorações petrolíferas. A Embaixada desaconselha “as viagens não essenciais” e avisa que “os raptos de funcionários de empresas petrolíferas são comuns” naquele país. A empresa que funcionou de intermediária para a colocação dos portugueses na Nigéria reconhece que a região “como um todo não é segura”, mas garante que “não falta nada” aos trabalhadores e que estes “estão numa zona protegida com guardas privados e têm o acompanhamento de pessoal da nossa empresa”.

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