Vulcão dos Capelinhos nasceu há 50 anos

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Ontem comemoraram-se 50 anos do surgimento de um fenómeno considerado único pela vulcanologia. O vulcão dos Capelinhos, no Faial, arquipélago dos Açores, começou a despontar do oceano na manhã de 27 de Setembro de 1957 e ao longo de um ano, modificou a configuração da ilha e contribuiu para a emigração de parte da população para o Canadá e os Estados Unidos.

Um fenómeno estranho acordou os moradores do lado oeste da ilha do Faial, no dia 27 de Setembro de 1957. A um quilómetro da costa e cerca de cem metros do ilhéu dos Capelinhos, o mar geralmente calmo tinha entrado em ebulição: dele jorravam colunas de nuvens cinzentas e sentia-se um (mau) cheiro sulfuroso no ar.

Mas os abalos que se sentiram entre 16 e 27 de Setembro, já não faziam prever nada de bom. E a confirmação chegou naquela manhã, por volta das sete horas. José Soares da Cunha, pescador balaleeiro local foi o primeiro a perceber que algo não estava bem, como revelou à revista «National Geographic (NG) Portugal». Era ele que estava de vigia no posto da comunidade baleeira do Comprido, mas em vez de uma baleia, o que viu fê-lo esfregar os olhos. Deixou o posto, correu até ao farol e informou o chefe faroleiro, que, por sua vez, alertou as autoridades, na cidade da Horta.

Estes, quando chegaram à ponta da zona do Capelo, viram então o que o senhor Avelar lhes tinha transmitido por telefone a partir do farol: quatro pontos efervescentes no mar lançavam cinzas, escórias e vapores de água. Os pescadores foram os primeiros a testemunhar o fenómeno, como foi o caso de José Rafael, então com 38 anos, baleeiro experimentado. “Vi-o (o mar) rebentar e atirar pedras. Fazia muito barulho, deitava muito fumo e a noite ficou escura como o breu”, contou ao jornalista da NG Portugal.

Vulcão «anunciado»

 

O vulcão dos Capelinhos não apareceu de um momento para o outro. Antecederam-se períodos de actividade sísmica, iniciados nos primeiros dias de Maio de 1957 e com actividade mais intensa entre 16 e 27 de Setembro. Às oito horas daquela sexta-feira surgiram as primeiras cinzas. Assim começou a fase submarina do Vulcão dos Capelinhos. Horas mais tarde apareceram outras três «chaminés», num total de quatro. Ao fim do dia havia uma coluna de vapor com mais de quatro quilómetros de altura, visível de todas as ilhas centrais.

Em início de Outubro as cinzas – tipo areias e pó com alguns blocos intermitentes de basalto – eram tão volumosas que geraram uma ilhota, em forma de ferradura, com entrada do mar virada a sudoeste. Passou a chamar-se a Ilha Nova. Quando o vento rodava para oeste, as cinzas caíram no Faial e destruíram tudo o que era vegetação. E com o tempo começaram a cobrir casas, quintais, pastos, campos de cultivo e caminhos, nomeadamente no Capelo e no Norte Pequeno. As casas ruíram com a força dos tremores e pela acumulação de cinza. Entre 29 e 30 de Outubro a primeira Ilha Nova desapareceu mas a actividade reactivou-se em inícios de Novembro repetindo-se o fenómeno anterior, mas com uma força até então nunca vista: grandes explosões, jactos de vapores, cinzas e escórias tão intensos que em poucos dias se formou a segunda Ilha Nova. Até então os cientistas ignoravam que, neste tipo de erupção, existiam amplos deslocamentos do fundo do mar. Foi a primeira «informação» dada pelo vulcão.

Ainda em Novembro, a ilhota ligou-se ao antigo ilhéu dos Capelinhos – que, aliás, representava restos de erupção idêntica bem mais antiga – e daí surgiu um istmo até à ilha do Faial, que aumentou a sua dimensão. No dia 16 de Dezembro de 1957, perante o espanto de muitos curiosos, em vez de cinzas, o Vulcão dos Capelinhos passou a lançar exuberantes repuxos de basalto fundido, oferecendo um espectáculo único. Nos fins de Dezembro regressou a fase de cinzas e uma vez ou outra observaram-se sinais de lava, especialmente ao longo de crateras alinhadas. A terra continuava a tremer e começou a receber cientistas dos quatro cantos do mundo.

Nova página

 

Durante o primeiro trimestre de 1958 predominaram os episódios de actividade submarina com emissão de jactos de cinzas, alguns bastante altos e volumosos. Quando o vento rondava a oeste, a ilha sofria mais: as cinzas chegaram à cidade da Horta e o cheiro a enxofre invadia todo e qualquer lugar. Mas a noite de 12 para 13 de Maio de 1958 virou uma nova página na história do vulcão dos capelinhos. Uma crise sísmica que registou cerca de 500 abalos provocou um reajustamento na estrutura subterrânea do vulcão que atingiu o seu apogeu: a cratera principal lançou lava durante algumas horas, formando um lago de lava muito fluida com altos repuxos de basalto em fusão. Algumas falhas geológicas deslocaram-se, na área exterior da Caldeira algumas falhas subiram 1,5 metros e em outros sítios da Praia do Norte abriram-se fendas de dois metros de largura. Todo o casario da Praia do Norte colapsou e no Norte Pequeno e no Capelo muitas habitações sofreram danos importantes.

Tal regime, que aumentou substancialmente a área da «terra nova» e que edificou o cone de bagacinas cujos restos ainda se observam, permaneceu até Outubro de 1958. Foram emitidos 24 milhões de metros cúbicos de rocha basáltica em fusão. Entretanto, no dia 24 de Outubro de 1958, sem aviso prévio, ocorreram as últimas explosões: foi o último dia de vida activa dos Capelinhos. O vulcão adormeceu.

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